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Publicado em 26/05/2005 - 16 comentários - Ler artigos relacionados - Você está em: Colunas » Hardware

Memórias e tecnologias

Uma visão geral sobre tecnologias e formatos. Vamos tentar esclarecer a confusão de nomes...

Antes de começar...

Bom, este é o meu segundo artigo para o Weblivre e fiquei muito feliz em ver que o primeiro teve uma boa aceitação. Foram quase 700 leituras. Confesso que eu não esperava tanto. Espero que este novo artigo sobre memórias possa atender às suas expectativas. Se vocês tiverem sugestões sobre temas de hardware, escrevam para o webmaster sugerindo temas para esta coluna.

 

Chega de papo... vamos ao artigo.

 

Introdução

 

Comprando peças em uma loja da Santa Ifigênia (uma espécie de “Meca” dos produtos eletrônicos em São Paulo), sou surpreendido com a pergunta de um cliente para o balconista: “Você tem memória DIMM?”. O balconista prontamente pergunta qual a capacidade que o cliente deseja. Em seguida, o cliente completa: “Ela está mais barata que a memória DDR?”. O balconista simplesmente falou que não e que em breve as memórias DIMM deixariam de ser revendidas pela loja e eles só trabalhariam com memória DDR.

Se você acha que este diálogo foi absolutamente normal, então você – bem como a maioria das pessoas – acabou de cometer um erro importante no mundo do hardware.

No caso, as pessoas têm o (péssimo) hábito de confundir tecnologia de memórias com formatos de memória. O formato de uma memória pode ser entendido como “a maneira que a memória é fabricada”. Os puristas utilizam o termo “encapsulamento”.

Já a tecnologia de memória faz referência ao modo como os dados são lidos ou escritos nas matrizes dos bancos de memórias.

No exemplo do início do artigo, tanto o vendedor como o cliente confundiram tecnologia com formato. Vamos tentar com este artigos esclarecer estas idéias. (colocarei apenas as mais comuns, ok?)

 

Tecnologias de memória

 

Memórias estáticas

Também chamadas SRAM: são as memórias que equipam os chips de memória CACHE. A memória CACHE é uma técnica utilizada para aperfeiçoar a transmissão de dados entre o processador e memória RAM (que não é estática). A razão desta técnica se justifica pelo fato de que os processadores são mais rápidos do que as memórias. Se o CACHE não existisse, o processador perderia muito tempo aguardando as instruções sendo enviadas ou recebidas pela memória. Os tipos de memória CACHE podem ser “Writethrough” ou “Writeback”. Ainda falarei sobre isso em um artigo independente.

 

Memórias dinâmicas

São chamadas de DRAM. A operação delas pode ser sincronizada com a freqüência do barramento local (memórias síncronas) ou então não sincronizada (memórias assíncronas). No caso das memórias assíncronas, temos duas tecnologias:

- FPM (Fast Page Mode): utilizada na maioria do antigos 486

- EDO (Extended Data Out): utilizada em  na época dos 486 e Pentium

 

No caso das memórias síncronas (chamadas de SDRAM), temos algumas possibilidades:

SDR-SDRAM: estas memórias trabalham sincronizadas ao barramento local do computador e suas freqüências normalmente são as mesmas do FSB (curiosamente, depois que criaram a sincronização, alguns chipsets permitiram a possibilidade de trabalho no modo assíncrono também). Estas memórias são normalmente conhecidas por sua freqüência de operação: PC66. PC100 e PC133.

DDR-SDRAM: trabalham sincronizadas também, mas ao invés de enviar apenas um lote de dados por ciclo de transmissão, estas memórias enviam dois lotes de dados, duplicando a performance da memória. DDR é a abreviação de “Double Data Rate” que significa justamente “taxa de transmissão duplicada”.

QDR-SDRAM: idênticas às DDR, mas transmitem quatro lotes de dados. É o caso da memória conhecida como RAMBUS.

 

Convém lembrar neste ponto que algumas novas tecnologias estão sendo introduzidas: DDR-II, Memória de duplo canal (Dual Channel) entre outras novidades. Ainda é um tanto cedo para falar delas. Quando estas tecnologia se consolidarem, falaremos delas também.

 

Formatos (Encapsulamentos)

 

SIPP (Single-InLine-Pin-Package): é o formato que deu origem ao termo “pente de memória”. É muito antigo, sendo utilizado nos arcaicos 386 e alguns 286

 

SIMM (Single In-Line Memory Module): os pinos da memória passam a formar contatos na superfície do módulo. O nome “Single In-Line” (linha simples) faz alusão ao fato de que os contatos são iguais em ambos os lados do módulo. Ou seja, o contato nº1 de um lado corresponde ao mesmo contato da outra face, conduzindo a mesma informação. Esse formato foi muito usado nas placas para 386 e 486 e praticamente todas as placas para o Pentium, sobrevivendo até mesmo em algumas placas para Pentium II.

Devemos lembrar também que este formato é dividido em duas classes que diferem quanto ao número de contatos e quanto ao tamanho: SIMM-30 (30 vias) e SIMM-72 (72 vias). Não vou discutir aqui as características técnicas de cada módulo. No momento, é importante que você aprenda a reconhecer o módulo.

 

DIMM (Dual In-Line Memory): o módulo deste tipo é bem maior do que os módulos SIMM. Outra diferença é que os contatos existentes em um lado do módulo são diferentes dos contatos da outra face (o que explica o nome). Este formato também é dividido em duas classes. Temos os módulos DIMM-168 e DIMM-184. O número indica o número de vias. Os módulos DIMM-168 surgiram com os Pentium e módulos DIMM-184 surgiram com a adoção da tecnologia DDR.

 

RIMM (Rambus In-Line Memory): é o módulo utilizado para a construção de matrizes de memória que utilizam a tecnologia RAMBUS. Ele é composto por 192 pinos e suas dimensões são idênticas às dos módulos DIMM.

 

Preferi agrupar todos os módulos numa única imagem para que você possa perceber a diferença entre eles:

 

Formatos do módulos

 

A confusão das nomenclaturas

 

Agora tentarei desfazer a confusão em torno dos nomes. As diferentes tecnologias utilizaram os encapsulamentos existentes na época. As memórias assíncronas (FPM e EDO) utilizaram principalmente os encapsulamentos SIPP, SIMM-30 e SIMM-72, sendo que as memórias EDO também foram montadas em módulos DIMM-168.

Isto quer dizer que uma tecnologia de memória pode ser aplicada (em teoria) a qualquer tipo de módulo. Não existe nenhum impedimento técnico para montarmos memórias SDR seja em módulos SIMM, DIMM ou RIMM.

No entanto, o mercado acabou abandonando alguns formatos ao longo do tempo. Para as novas tecnologias, novos formatos. E isto explica porque você não encontra uma memória RAMBUS em um encapsulamento SIMM30!

Agora, é importante dizer que alguns formatos foram destinados exclusivamente para algumas tecnologias. É o caso do formato DIMM-184 que só foi utilizado para chips de memória que utilizam a tecnologia DDR. Outro exemplo é o módulo RIMM que comporta memórias RAMBUS. Devido a isso, acostumamos a chamar os módulos pela tecnologia (no caso do DDR e RAMBUS).

Certo ou errado?

É complicado mudar alguns costumes do mercado. Veja o exemplo da porta mini-DIN. Todo o mercado de informática (e eu não sou exceção) utiliza o seu “apelido”: PS/2. Agora, o que pouca gente sabe é que o nome PS/2 vem de um computador fabricado pela IBM que foi o primeiro a utilizar portas deste tipo.

A princípio, é errado dizer que a memória DDR não é DIMM. O que não pode acontecer é misturarmos os conceitos “formato” e “tecnologia”. É uma questão de costume...

Acostume-se a utilizar ou o nome da tecnologia ou o nome do formato. Você passará com certeza a expressar-se corretamente. Não há nada de errado em dizer “memória SDR”, “memória DDR”, ou então “memória DIMM-184” e “memória DIMM-168”.

 

O que é importante?

 

Discussões à parte, para quem entende de hardware, o importante e fundamental é saber reconhecer o tipo de memória: tanto por sua tecnologia quanto por seu formato. Outro ponto: mesmo entre memórias de mesma tecnologia, existem algumas diferenças (é o caso das SDR, com os modelos PC66, PC100 e PC133 e DDR com as PC1600, PC2100, PC2700 e PC3200). Mas isto eu abordarei em um outro artigo.

 

Até a próxima semana! Abraço à todos.

 

 

Sobre o autor:

Prof. Ricardo Marques é professor-coordenador dos cursos de Informática do CENEP (Centro de Ensino Profissionalizante)

O CENEP pode ser acessado clicando aqui

A página pessoal do autor pode ser visitada aqui

Entre em contato com o autor através do e-mail

Autor: Ricardo Marques

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Comentários

Comente este artigo!

Augusto Cunha em 27/01/2008
Valeu pelo artigo, Sou estudante de redes de computadores e o artigo me ajudou muito a diferenciar (aprender a maneira correta) o que todos confundimos. Um Abraço!!!

Everuska em 14/07/2007
Gostaria de obter mas informações especificas e bem detalhadas de memória RIMM. Obrigado.

Web_012@hotmail.com em 04/01/2007
muito bom

luciano em 28/12/2006
ai parabens , achei mo interesante o artigo continui fazendo artigos como esses.

silas em 28/11/2006
o site é muito bom, continuem assim... parabens pelo belissimo trabalho desse site, e muito obrigado por nos dispor de tamanha honra com suas apostilas.

Jenilson em 09/11/2006
Cara mt bom... Parabéns!!! Vc entende msm da coisa, jah sabia de algumas coisas mas outras me ajudaram mt.. t+

Wellio em 01/08/2006
Cara vc é "o cara" !!!!!! Nem o proprio gabriel torres conseguiria falar melhor que vc sobre o assunto, ou melhor se quer ele falou sobre isto em seus livros. espero ansioso pelo tutorial sore as diferenças destas tecnologia. alias eu tava tentando c

Fabio Lima em 12/07/2006
Está muito bem seu tutorial agradeço pelo assunbto que foi abordado.

Alexandre em 25/03/2006
Parabéns Ricardo por fazer um excelente trabalho, tanto como professor, como colunista da web livre, esclarecendo todas as dúvidas que aparecem, nos ensinando e aumentando o conhecimento de todos nós, muito obrigado por dividir seus conhecimentos.

Geneses em 22/03/2006
Aí segue um arquivo sobre Hardware

Fabio em 07/12/2005
Parabens!artigo muito esclarecedor e didatico.

Francisco em 02/12/2005
Parabéns, o site está muito legal, vi o link no apinfo e resolvi visita-lo. Boa sorte e melhore cada vez mais.

Felipe em 19/06/2005
Olá, professor, depois da tensa aula de Hardware, e a devida bronca por causa dos alunos relapsos, finalmente tomei vergonha e estou estudando. Mas voltando ao artigo, eu sei que ainda não chegamos nessa matéria, mas talvez eu entenda melhor, já entend

Claudia em 08/06/2005
Valeu estou fazendo um trabalho de hardware e esse artigo me ajudou. Gostei muito do site!

Claudio em 05/06/2005
bom estou comentando pq meu professor o Ricardo me pediu. brincadeira esse artigo esta bem interessante e muito facil de se entender!!! parabéns Ricardo e ao site tb!!!

Anderson em 26/05/2005
Está sendo muito difícil de encontrar artigos com essa qualidade. Parabéns ao WebLivre e principalmente a você Ricardo!

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