Nem sempre usar o melhor pode ser o mais útil
Uma palavrinha inicial...
Olá... este é o meu primeiro artigo para o Weblivre. Trabalho como professor de informática no CENEP (Centro de Ensino Profissionalizante) e gostaria de agradecer a oportunidade de apresentar o meu trabalho desta forma. Espero que todos possam aproveitar e críticas e sugestões sempre serão bem-vindas. Agora, vamos ao artigo!
Professor, qual é o melhor?
A pergunta que a maioria dos meus alunos me fazem quando dou uma lista de fabricantes de algum componente é: "Qual é o melhor deles?".
A pergunta, a princípio, parece justa. Afinal, todos nós queremos adquirir somente o melhor e não queremos levar "gato por lebre". No entanto, eu acabo decepcionando a maioria dos meus alunos com minha resposta: "Isso quem decidirá é justamente você!".
Muitos não entendem, mas realmente discutir sobre melhor placa, melhor processador, melhor memória é uma discussão longa e na maioria das vezes improdutiva. Tente convencer um proprietário de uma placa PC Chips que nunca apresentou problema de que ela é uma placa ruim e você entenderá o que quero dizer.
Eu poderia utilizar minha experiência de campo e apontar placas problemáticas e placas confiáveis. Mas na verdade, pode ser que um PC Chips venha a ser uma boa placa dependendo da aplicação (Em tempo, sei muito bem das dores de cabeça que uma PC Chips pode trazer, mas por incrível que pareça, sempre aparece alguma totalmente estável funcionando por aí).
Antes de perguntar qual é a melhor peça, deveríamos nos preocupar com a aplicação da máquina. Isto mesmo: perguntar o que a máquina fará.
Vamos levar em conta uma máquina que será utilizada para acesso a Internet, criação de textos no Word e elaboração de planilhas típicas com funções e fórmulas simples. Será que necessariamente precisamos montar um micro baseado na ASUS A7N8X ou então na Abit NF7-S?
Em um escritório, onde máquinas normalmente realizam tarefas cotidianas é um desperdício de dinheiro criar configurações "topo de linha".
Lembro do tempo em que trabalhei em uma certa escola de informática onde um laboratório deveria ser re-equipado com novas máquinas. Como professor de hardware, fui encarregado da tarefa de elaborar a configuração das máquinas. Devo dizer que o laboratório seria utilizado para aulas de Office e navegação web. Para a época, sugeri que os micros fossem baseados em MoBo's A7N266 (ASUS) utilizando o processador Duron 1200 (AMD) com 256 MB de RAM (PC2100) e HD's de 20 GB (Seagate 5400 rpm) . Para a época era um configuração entry-level (micro com poder de processamento limitado ideal para aplicações que consomem poucos recursos do computador, como textos do Word, planilhas simples do Excel e navegação web).
Apresentei a idéia ao diretor da escola e ele logo perguntou: "Por que você não quer o Pentium 4?". Tentei explicar que seria um desperdício de dinheiro e que máquinas com essa configuração seriam suficientes para os propósitos do laboratório.
Duas semanas depois chegaram as novas máquinas: todas baseadas em Pentium 4 e placas Intel caríssimas. Custo do projeto: praticamente o dobro do original.
Infelizmente, faltou aquilo que eu chamo de visão técnica para o projeto. Na visão do diretor, seria mais importante um processador "de nome" para que os alunos tivessem a impressão de que se tratava de computadores de última geração. Ao invés de investir em placa e processador, ele deveria ter optado por uma configuração mais modesta e investir, por exemplo, em um gabinete mais atraente e um monitor de LCD. Garanto que isso faria com que os alunos vissem ali computadores “topo de linha”.
Com este exemplo real, quero demonstrar que o melhor micro nesta situação não seria um com o melhor processador e melhor placa. Seria o micro que atendesse com eficiência o projeto a que ele se destina.
Como avaliar então qual será a melhor escolha? A única maneira é justamente mantendo-se atualizado nos produtos disponíveis no mercado e também tendo uma boa conversa com seu cliente. E nunca se esqueça de perguntar qual a aplicação desta máquina.
É isso aí por enquanto. Até a próxima!
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Sobre o autor...
Prof. Ricardo Marques é professor-coordenador dos cursos de Informática do CENEP (Centro de Ensino Profissionalizante)
O CENEP pode ser acessado clicando aqui
A página pessoal do autor pode ser visitada aqui
Entre em contato com o autor através do e-mail
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Claudio em 08/12/2005
Sem palavras, esse artigo ficou show como os outros q vc escreveu, não precisa ser um genio para entender, parabéns Ricardo.
OBS: a e professor agora quando eu for pergunta "qual é a melhor" vou falar a aplicação blz. Abs !!
Renato Rodrigues em 27/08/2005
Muito bom....concordo plenamente!
Seu artigo demonstra que não é necessário gastar uma fortuna para criar um bom pc!
Parabéns!
Toshio em 27/05/2005
Artigo muito bom, ja tive a oportunidade de ser aluno do Ricardo um otimo professor !
Otima materia Ricardo !
Mauro em 23/05/2005
Nossa, show sua matéria! O Weblivre sempre trazendo feras para as colunas ! Muito show.
yuri em 23/05/2005
show...aindasou novo e naum tenhu muita noçao mas esta muito interessante paranes
Walter Rocha em 22/05/2005
Ricardo, muito legal e informativo o seu artigo, sei que todos os outros também serão ótimos :)
Ana Paula em 22/05/2005
Ricardo, parabéns pelo artigo
Danielle em 22/05/2005
Muito bom o artigo, parabéns Ricardo.
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